O Brasil registrou a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) com módulo de educação, iniciada em 2016. Em 2024, 5,3% da população com 15 anos ou mais não sabia ler nem escrever um bilhete simples. Isso representa aproximadamente 9,1 milhões de brasileiros, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda, que coloca o índice no patamar mais baixo em quase uma década, reflete esforços contínuos e desafios persistentes na área da educação.
Essa conquista, embora significativa, ainda aponta para a necessidade de políticas públicas robustas para erradicar completamente o analfabetismo e garantir a plena inclusão social e econômica de todos os cidadãos. A análise detalhada dos dados revela nuances importantes sobre a distribuição do analfabetismo no país e os grupos mais afetados.
Panorama da Queda: Detalhes e Distribuição Geográfica
A redução na taxa de analfabetismo para 5,3% em 2024 é um indicativo de progresso, mas a análise regional dos dados da PNAD Contínua mostra que o desafio ainda persiste com maior intensidade em algumas áreas. Historicamente, as regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de analfabetismo, reflexo de desigualdades históricas no acesso à educação e infraestrutura. Embora a queda seja observada em todo o país, a disparidade regional permanece um ponto de atenção.
A concentração do analfabetismo em faixas etárias mais elevadas também é um fator relevante. Muitos dos brasileiros que não sabem ler ou escrever são idosos que não tiveram acesso à educação formal em sua juventude, em um período em que as políticas de inclusão educacional eram menos abrangentes. Isso demanda estratégias específicas para a educação de jovens e adultos (EJA), adaptadas às necessidades e realidades desse público. O combate ao analfabetismo não é apenas uma questão de alfabetização básica, mas de inclusão e dignidade para milhões de pessoas.
Fatores Contribuintes e Políticas Públicas em Ação
Diversos fatores podem ter contribuído para a queda do analfabetismo no Brasil. Programas de educação de jovens e adultos (EJA), investimentos em alfabetização e a ampliação do acesso à educação básica são elementos cruciais. Campanhas de conscientização e a mobilização de professores e comunidades também desempenham um papel vital. Governos em diferentes níveis – federal, estadual e municipal – têm implementado políticas para reduzir essa taxa, embora com graus variados de sucesso e intensidade.
A continuidade e o aprimoramento dessas políticas são essenciais para sustentar a trajetória de queda. Isso inclui o fortalecimento da infraestrutura escolar, a capacitação de professores, a criação de materiais didáticos adaptados e a busca ativa por pessoas que ainda vivem à margem do sistema educacional. Além disso, a alfabetização funcional, que vai além de ler e escrever um bilhete simples e inclui a capacidade de compreender e utilizar informações no dia a dia, é um próximo passo importante na agenda da educação.
Desafios Persistentes e o Caminho para a Erradicação
Apesar do avanço, os 9,1 milhões de brasileiros que ainda não sabem ler e escrever representam um desafio significativo para o país. O analfabetismo é uma barreira para a plena participação social, política e econômica. Afeta a empregabilidade, o acesso à informação e a capacidade de exercer a cidadania de forma plena. A erradicação do analfabetismo requer um esforço contínuo e integrado que envolva não apenas o governo, mas também a sociedade civil, empresas e organizações não governamentais.
É fundamental que as políticas educacionais sejam perenes e não sofram descontinuidades a cada mudança de gestão. O investimento em educação é um investimento no futuro do país, na redução das desigualdades e no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa. O monitoramento contínuo dos dados pelo IBGE por meio da PNAD Contínua é crucial para avaliar o impacto das ações e direcionar os recursos de forma mais eficaz para as regiões e grupos mais necessitados.
Conclusão
Atingir a menor taxa de analfabetismo desde 2016 é um marco positivo para o Brasil, resultado de esforços concentrados na educação e inclusão. No entanto, os milhões de brasileiros que ainda não dominam a leitura e a escrita nos lembram da persistência do desafio. A continuidade de políticas públicas eficazes, com foco nas regiões e faixas etárias mais afetadas, é essencial para avançar rumo à erradicação completa do analfabetismo e garantir que todos os cidadãos tenham acesso pleno à educação e às oportunidades que dela advêm.
Com informações do site Metrópoles.